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Archive for junho \19\UTC 2010

O gato de Shrödinger

junho 19, 2010 2 comentários

Em 1935, Erwin Shrödinger, ao tentar explicar a interpretação de Copenhage da Física Quântica, propôs um experimento em que um gato é encerrado em uma caixa com um recipiente fechado de veneno, que se quebraria em um momento aleatório, acionado por um contador Geiger. Já que ninguém sabe quando o veneno será liberado, até que a caixa seja aberta, o gato pode ser considerado tanto vivo quanto morto.

Se estou louca? Não. Só queria ilustrar com alguma ciência a velha história: Só sabemos um resultado quando soubermos. E pra saber, tem que abrir a caixa.

Em um ataque de arrogancia, resolvi que iria abrir uma certa caixa que esteve fechada ha um bom tempo. E o gato estava vivo, bem vivo, e agora gostaria de saber de onde vou tirar energia e, por que não dizer, coragem, para lidar com esse bicho. Não sei. Escolhi um péssimo momento para pensar que podia fazer isso. Que ótimo.

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Resignation letter of sorts

junho 16, 2010 2 comentários

Quando eu abri o olho hoje cedo, já senti que não ia ser um dia comum. Ia ser o dia do capeta, tinha certeza. E foi mesmo.

Sabe quando geral resolve que vai se manifestar? Isso quase nunca me acontece, mas hoje parece que as portas do inferno se abriram. E de novo fiquei pensando, mas que dedo podre pra homem eu tenho, credo! O pior é que tudo começa sem intenção de nada. É impressionante. E é fato, no meu quintal parece que só entra personagem mesmo…

Tem o “last one”, que seria perfeito se não fosse o péssimo habito de reafirmar a condição de macho a cada momento. Tá sempre dizendo que vai me botar na linha, que vai ser tudo diferente, que vou ter tudo que mereço. Adoro “macho pra caralho”, mas também tenho apreço pela minha integridade física. Eu hein.

Tem um que vive num planeta que eu não sei qual é. Ele pensa que eu tenho botão de liga/desliga, desde sempre. Ele tem encrenca de sobra na vida, e ainda pensa que daria super certo me adicionar à pilha de encrencas dele. Acredita que eu sou o que falta na vida dele. E acha que eu ia ficar super feliz com isso. Irresponsável.

Aí tem um que é muito novinho, muito uhul, muito otimista, muito “muito muito”, e pensa que eu sou o arrimo do mundo. Acha que tudo dá certo na minha mão. Acha que a minha vida é uma festa, cheia de liberdades e independencias, e que pode fazer parte dessa coisa toda assim, sem mais nem menos. Jovem tolo.

E tem o boomerang. Esse, é de praxe, todas as vezes que a namorada viaja/vai pra casa da mãe/fica de xico/whatever, me procura. É outro que jura que eu tenho botão de liga/desliga. E o pior, se lamenta o tempo todo. Lamenta ter escolhido a outra moça, lamenta não ter “seguido a area”, lamenta não poder ver futebol aos domingos… lamentável. E irritante.

Agora, quem pode me dizer onde moram as pessoas normais, ou pelo menos esforçadas? Eu sei que não sou um modelo de normalidade, etc e tal, mas não seria pedir demais, sabe… percebi que o que esse povo tem em comum é pensar que eu sou “pau pra toda obra” ou algo assim. Que a minha vida tá ganha e que eu aguento e resolvo qualquer coisa. Que seguro qualquer barra.

Só que isso não é verdade, eu sou gente como todo mundo, não estou sempre no comando, e tenho tanta vontade de sumir no colo de alguem quanto todo mundo tem. E não sou muro nem escora. Não sou de ferro. E se eu posso tomar no * sozinha sem mimimi, então eles também podem. E quer saber? Se for pra ter esse tipo de companheiro na minha vida, não quero. Sério, desisto. Já não é mesmo minha especialidade, então nem vai fazer muita falta, essa merda. Como já disse antes, só quero ser feliz. E não dá pra ser feliz me debatendo com gente que parece que só quer tomar o que me resta de energia de mim. I quit.

E eu sei que vai ter tipo se identificando aqui. Bom, recado dado.

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