Hoje, não pela primeira vez, uma pessoa me abordou dentro do ônibus para comentar algo em mim. Acho isso super curioso, já que estranhos não costumam nem olhar na nossa cara, quanto mais fazer uma crítica construtiva.
Ao fato: a mulher aparentando ter a minha idade virou para mim e simplesmente falou, “Seu cabelo é tão crespo, por que você não alisa?”, ao que eu apenas respondi “Porque somos selvagens, meu cabelo e eu.”. E não pude deixar de sorrir, porque acaba que acho intrigante isso de pessoas me dizerem coisas realmente fora de propósito na rua.
Será que eu dou abertura assim para as pessoas estranhas me darem suas opiniões? É cada uma… daria uma lista grandinha até. Já ouví desde um “Prender cabelo molhado apodrece os fios, sabia?” até o clássico de hoje, muito frequente. Eu acho que meu cabelo deve incomodar mesmo… é campeão de comentários! Segundo lugar para a “bordinha da pizza”, aquele pouquinho de pele que aparece entre o cós da calça e a barra da blusa. Desse eu dou risada pra valer!
Bom, pondo tudo isso a parte, creio que a raiz da coisa toda seja o tal do “padrão de beleza”. Sim, ele existe, é super valorizado e definitivamente faz diferença na vida de uma pessoa, em como ela é tratada pelas outras, nas oportunidades, etc. Seria tolice não reconhecer isso.
O caso é que acho super desconfortável perseguir esse padrão. E, puxa, a identidade própria, a qualidade de vida, onde ficam? Imagine acordar todos os dias e se “montar” para ficar de acordo com o que todos acham bonito? Para alguns isso demanda esforço mínimo, mas para outros… puxa! Não dá, não. Por acaso alguém consegue viver de meia-calça, cinta, make completo, chapinha no cabelo? Não, gente, existe chuva, tpm, calor de 27°C, sexo às claras, noite de sono com companhia… existe vida real! Daí não se pode reclamar do susto alheio na luz da manhã quando se vive “montada” né… não é mais simples ser o que é e pronto? Isso, lógico, não significa falta de cuidado e capricho, e sim alguma naturalidade.
E nesse cenário, o “pior” que pode acontecer é você não ser a mais linda do mundo, mas garanto que a liberdade de ser vale muito, muito a pena.
“Falou a Fah, que não sabe se maquiar além do batom/rímel, aboliu os saltos em favor do conforto, só anda de jeans e anda por aí – no sol e na chuva – muito confortável com sua jubinha castanha e rebelde, ‘queimada’ nas pontas.”